Archangelus

Era eu Babel em meu plano mais profundo: humana demais, logo em mim a necessidade de aproximação de deus - narciso que me habita e lembra: - é tu a imagem e semelhança-perfeição. Ignoro meus erros e dedos em riste apontam as idiossincrasias do mundo, assim esqueço meus tantos defeitos: sou deus este que em sua trajetória arrependeu-se, amou, vingou-se, matou. E assim a vontade de aproximação do pai - elevo a mais bela torre, o caminho aos céus, eu-babel. Eis que me confunde o pai: atordoa-me a língua e criatura que antes oratória agora não mais compreende seus irmãos. A solidão perdura - meu lamento não mais acolhido por quem me rodeia - palavra que perde o sentido frente à qualquer emoção - fecho os olhos e oro: um pai também erra.