duas estrelas

Minha binaridade me preocupa: ora sou dois olhos que vêem o mundo tão amarelo e bondoso, pra num tropico - bosta! perde-se tudo na boca suja que mal-diz a vida, o tempo seco e a vizinha. Minha maleficência caminha toda enfeitada em seus ruminares e falácias que as vezes nem nota a benevolência que passa distraída e sem expectativas num simples "bom dia" que me esqueço de retribuir. E eu, centro de massa comum desses dois corpos celestes que em mim orbitam, ora boa, ora má, apenas antevejo a colisão que logo se dará: e então, meu amigo, serei estrela cadente - iluminando o céu do que é bom e do que é ruim, no espetáculo da humanidade maniqueísta que rondam esses dias.

Archangelus

Era eu Babel em meu plano mais profundo: humana demais, logo em mim a necessidade de aproximação de deus - narciso que me habita e lembra: - é tu a imagem e semelhança-perfeição. Ignoro meus erros e dedos em riste apontam as idiossincrasias do mundo, assim esqueço meus tantos defeitos: sou deus este que em sua trajetória arrependeu-se, amou, vingou-se, matou. E assim a vontade de aproximação do pai - elevo a mais bela torre, o caminho aos céus, eu-babel. Eis que me confunde o pai: atordoa-me a língua e criatura que antes oratória agora não mais compreende seus irmãos. A solidão perdura - meu lamento não mais acolhido por quem me rodeia - palavra que perde o sentido frente à qualquer emoção - fecho os olhos e oro: um pai também erra.