negro

Encaro o espelho com olhos apáticos que me brilham de volta e sorriem esperançosos para uma garota que digere inutilmente as palavras [não ditas] do dia-a-dia. E me encaro, me julgo, me xingo - Não sabe o que faz. -Não sabe o que quer - estúpida. Sorrio de volta à garota que não retirou a maquiagem da noite anterior. Conheço os riscos da falta de protetor solar, mas nada me parece mais cruel do que o tempo. O que mata não é o exagero - é a falta. O que sufoca não é a falta de ar - é não ter pelo que respirar. Meu corpo magro se retrai e eu me retiro - já é manhã, há um sol amarelo, um céu azul, pássaros coloridos ainda cantam por aqui [e confesso que isso me transborda a felicidade] e em meio a tantas cores o que me lembro é de uma criança que brinca com suas massinhas de modelar, e em busca da cor mais bonita do universo - a junção de todas elas - descobre que resultam apenas em um preto insosso e feio. E assim, choro como um menino perdido da mãe que sabe o caminho de volta mas não atreve a percorrê-lo sozinho.