Ana

Ana amava. Descia escadarias correndo sem apoiar-se no corrimão - era dessas pessoas que se arriscam. E por isso, Ana amava. Entregava-se a cada um que a quisesse. Beijavam-lhe a boca, lambiam-na os seios, perdiam-se em suas pernas e ao fim - honesta e molhada declarava sem sonetos: "Te amo." e sorria desencabulada. Ana amava, Carolina não. Carolina preferia elevadores - a praticidade plástica das facilidades inúteis do dia-a-dia - comprava flores de plástico para enfeitar seus dias. Não se entregava e por isso não pertencia - sequer gostava de chocolates, não os comia. E sendo assim era Ana Carolina, porque o bom de não saber amar, é amar sem se dar conta, porque mais ninguém o poderia, era ela então - Ana Carolina.