não pode

- Ela estava deitada de lado, sabe?
- Sim.
- Deliciosa, tomando banho de sol. Biquini. Água de coco. Morena. Raio de sol. Musa do verão.
- Soa bom.
- É bom. Dourado de verão. Dourado de verão é sempre bom.
- Claro.
- Me apaixonei. Qualquer um se apaixonaria. Inclusive, acho que na praia todos já estavam apaixonados. Você se apaixonaria também.
- É bem fácil.
- Quando vi já tinha lhe cravado os dentes.
- Bem...
- Foi inconsciente! Impulsivo, não consegui segurar! Quando vi já estava lá, com os dentes, na carne gorda. E que carne, meu Deus!
- Olha...
- Maravilhosa, meu homem! Maravilhosa! Que morena, que mulher... Morderia outras mil vezes!
- Senhor, eu compreendo, mas...
- Você não deveria me prender, na realidade você deveria prendê-la. Afinal uma mulher dessas solta pela rua sempre acarraterá nesse tipo de situação.
- Ela já fez o B.O.
- Olhe, Senhor Delegado, não cometi nenhum crime. Mas confesso que coisas criminosas passaram pela minha cabeça com aquela morena, que morena! Dourada...
- Acho que o Senhor precisa se acalmar um pouco...
- Não, não preciso me acalmar, preciso dessa morena... Morena-paixão. Morena-viola. Morena-verão.
- Ôh cabo! Alguém trás um copo de água com açúcar aqui!
- Morena... Dourada... Morena...
- Vou soltar o Senhor, ok? Com uma advertência, mas vou soltar. E não morda mais ninguém na rua!
- Mas Delegado, se o senhor visse a morena que eu vi. Você morderia também.