tristeza

Eu estava sentada e ela entrou sem bater.
Não estranhei.
E não precisei olhar pra trás pra ver quem era, eu já a esperava.
Sentou no sofá ao meu lado, ficamos assim, sem emitir nenhum som, fingindo ver a TV, que também não dizia nada.
Tocou o meu braço, que eu não quis sentir. Mas de que adiantava? Folheei uma revista, ela foi fazer um chá...
E aqui estamos ainda.
Ela não larga mais a minha mão.
E eu sei que não vou mais seguir sem ela.
ao melhor som de Piazzolla escrevo estes versos, que por objetivo tem nada dizer
e assim vou, de palavra em palavra, sem nenhum propósito, sem nenhum querer
sem esse fardo que é a vida, apenas mexendo com os pés, rodando pelas milhas que alcanço
sem pagar passagem, sem carregar bagagem
montando um quebra-cabeça qualquer, encaixando peças ao acaso
mas sabendo, definitivamente, que o tempo é meu e faço dele o que bem quiser
sorrisos são assim, de graça