Lembro de você.
Fazia aquelas tranças no cabelo e acreditava que era peixe.

- Peixe não! Sereia...

A trança era grossa, firme, impossível de ser desfeita. Tinha os cabelos lindos! De cachos dourados quando soltos.
Os seus olhos me davam medo, confesso. Eu sabia que você sabia. Você sempre sabia das coisas...
Seus olhos diziam muitas coisas, e seu cabelo absorvia o sol.
Tive medo quando me disse pra continuar, seguir em frente, que não precisava mais de você. Foi difícil soltar sua mão.
Eu ainda sinto ela na minha. Mas não existe mais o calor.
Agora caminho com meus próprios pés, me apóio em inúmeros ombros e amo outros mil olhos.
Obrigada por ser quem você me tornou.